Em Atenas 2004, Eamon Sullivan era o caçula da equipe australiana de natação, que tinha em Ian Thorpe a sua grande estrela. Participou do revezamento 4x100m livre, que ficou com o sexto lugar. Hoje, aos 22 anos, o garoto nascido em Perth é simplesmente o homem mais rápido do mundo nas piscinas e forte candidato a voltar dos Jogos de Pequim com uma medalha de ouroreluzindo em seu peito.
- Muitas coisas progediram desde 2004. Eu amadureci como atleta e trilhei o meu caminho rumo ao topo - escreve o nadador de 1,89m e 78kg, em seu diário no site oficial do Comitê Olímpico Australiano.
Sullivan, que começou a nadar aos nove anos por recomendação médica para auxiliar no tratamento de asma, quebrou o recorde mundial dos 50m livre nada menos que três vezes este ano, superando a marca do russo Alexander Popov, 21s64, de junho de 2000. Primeiro, nadou a distância em 21s56 em fevereiro, mas viu o francês Alain Bernard cravar 21s50 seis semanas mais tarde. Quatro dias depois, mais precisamente em 27 de março, o australiano não se deu por vencido e baixou a marca novamente para 21s41, nas seletivas nacionais para Pequim. No dia seguinte, conseguiu inacreditáveis 21s28, recorde atual da prova.
- Ele vem num crescente impressionante de 2007 para 2008. Baixou seu tempo nos 50m de 22s05 para 21s28, uma evolução estúpida de 3,5%, surpreendente para a prova mais curta da natação - avalia Ricardo Mourão, diretor técnico da seleção brasileira, em entrevista por telefone ao GLOBOESPORTE.COM.

Favorito, sim. Imbatível, não.Adversário de Sullivan na China, o brasileiro Nicholas Santos, cuja melhor marca nos 50m é de 22s12, confessa que ficou espantado com a performance do australiano, mas não o considera imbatível.
- É uma prova que está ficando cada vez mais grossa. É uma tremenda evolução não só dele, como da natação australiana em geral. Todo mundo ficou impressionado. Ele é o favorito, mas vamos esperar a seletiva americana e comparar os tempos - diz Nicholas, em entrevista por
telefone ao GLOBOESPORTE.COM.
Além de Nicholas, o outro brasileiro que vai nadar os 50m livre em Pequim é César Cielo, recordista sul-americano com 21s84. Para chegar à marca de 21s28, Sullivan usou o polêmico maiô LZR Racer da Speedo.
- A evolução não é só por causa do maiô, mas com certeza ele faz parte do resultado. Mas como é ano olímpico, a motivação é maior, e o treinamento é mais forte. É um somatório - opina Nicholas, que ainda não teve a oportunidade de testar a roupa.
Dores crônicas podem atrapalhar
Apesar dos excelentes resultados recentes, Sullivan, que também está classificado para disputar os 100m livre, deve chegar à China com uma preocupação. O australiano sofre de dores crônicas nas costas e no quadril. Já foi submetido a três operações e se queixou do mesmo problema recentemente. Além disso, uma tendinite nos dois ombros o incomoda há seis anos.
Palavra de especialista
"Ele vem da escola australiana, que faz um trabalho diferenciado. Mas ainda tem muita água para rolar até os Jogos. Ele é favorito hoje, mas muita coisa pode acontecer. Esporte é momento."
Ricardo Mourão, diretor técnico da seleção brasileira de natação




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