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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

DESTRINCHANDO O LZR RACER


Divulgação
Pedro JunqueiraPublicado em 27/04/2008

Assistindo o Césão num vídeo feito na sala de peso de Auburn, eu cheguei a conclusão que já estava na hora de escrever este artigo. Ele é rapidamente entrevistado antes de mostrar um exercício inventado por ele mesmo. Do que ele diz, duas palavras, ou dois nomes, sobressaem: Bernard e Sullivan. O exercício é feito alongando braço e perna opostos, em posição paralela ao chão, utilizando um cabo de vassoura apoiado ao longo da coluna vertebral que deve ser mantido em perfeito equilíbrio. Pra dificultar, colocam um copo d’água cheio na parte de trás da cabeça dele. A intenção é uma só: otimizar a técnica do nado livre em tempos de LZR Racer, assim como fizeram o francês e o australiano. E o corolário óbvio será a menor importância do nado de arranque, pelo menos para os super velocistas.
A estatística que todo mundo já está cansado de ouvir é a do número de recordes mundiais batidos em 2008. Mas existe informação muito mais relevante se analisarmos o perfil dos recordes batidos. Na piscina longa, dos 19 recordes quebrados, 15 foram de 50m e 100m livre ou 50m e 100m costas. Os outros quatro foram os 200m e 400m medley da Stephanie Rice, os 200m costas da Coventry e os 400m livre da Pellegrini, este último não sendo de LZR racer. Nenhum recorde de borboleta ou peito, ou de distância no livre. Ou seja, pela evidência até agora na piscina longa, o efeito LZR Racer estaria presente no livre e no costas e tendendo fortemente para a curta distância. Os recordes da Rice podem muito bem ser uma confluência de fatores como a melhora pessoal e o efeito do costas e o livre na prova.
Na piscina curta, apenas recordes femininos de borboleta e peito foram batidos, além dos vários recordes, em ambos sexos, no costas, livre e medley. Mas a qualidade dos dados, no que diz respeito ao impacto diferenciado do LZR Racer por estilo, é precária porque a curta é menos usada por todos, alguns nem participam, e o último mundial foi há dois anos atrás.
Quando analisada ao longo do tempo, a média de melhoras de tempo depois da inserção do LZR Racer, não só de recordes, mas de performances individuais, no nado livre em distância curta, é um fenômeno estatístico que não dá para explicar pela evolução histórica. Óbviamente o Césão sabe disto. Como ele mencionou, no seu artigo escrito para o bestswimming, ele esta sempre questionando o que está acontecendo e o que ele pode fazer diferente para melhorar. Isto é o motto daqueles que estão no topo do mundo e querem sustentar a supremacia.
As primeiras explicações que aparecem, ainda em terreno não inteiramente firme, são de que o LZR Racer ajuda mais na flutuação e transfere mais eficientemente momentum da musculatura central do corpo para a execução do nado. Mas para fazer uso destas vantagens, o nadador precisa adaptar seu estilo. Não adianta só melhorar a série, no treino, de sunga. Tem que alterar a técnica de estilo, no treino, de sunga, e contar com o efeito complementar que o LZR Racer trará na hora da prova. E a técnica favorecida pelo velocista do livre, baseado nas primeiras percepções das vantagens do LZR Racer, será a de um nado mais simétrico e sem arranque de braçada. O arranque, é um artifício que usa a condição natural de afundamento do corpo. Se há maior flutuação, perdem os golfinhos, ganham os surfistas remadores de prancha. Os arranquistas, como o Phelps, o Nilo, ainda têm os 200 metros pra se sobreporem, distância ainda longa demais, por enquanto, para ser ameaçada por uma técnica diferente que use o efeito da flutuação do LZR Racer. Quem perdeu com esta história foi o Hoogenband, um arranquista de 100 metros. Já o Cesão, um arranquista menos exagerado, está fazendo força pra se adaptar. Sullivan, Bernard, Veldhuis e Trickett são nadadores, cujos estilos, foram favorecidos pelo LZR Racer.
Quanto ao costas, estilo que também tem tudo para usufruir das vantagens das características do LZR Racer, a evidência de melhoras de tempo fora do normal também é avassaladora. Tanto na flutuação como na maior eficiência biodinâmica, o maiô cai como uma luva para para este estilo. O único detalhe adicional aqui é que a técnica do nado submerso nas viradas e saída continuam se aprimorando, e também fazem parte da melhora geral. Na final dos 200m costas em Beijing, nunca se verá tanta distância da prova coberta submersamente. Serão oito nadadores nadando 140 metros e dando 60 metros de golfinhada submersa. Pra puxar a sardinha pro meu lado, eu ainda acho que o velho John Naber, campeão olímpico 32 anos atrás com seus inacreditáveis 55 segundos, ainda seria páreo para o Peirsol. Bastaria um pouco de treinamento de golfinhadas, virada olímpica e um LZR Racer para arrematar.

Pedro Junqueira – ex-nadador do Minas Tênis Clube dos anos 70, aposentado precocemente das piscinas, pesquisador e aficionado da natação e história, está escrevendo um livro sobre a história da natação competitiva do Brasil

Fonte: http://www.bestswimming.com.br/

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