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Domingo, 4 de Maio de 2008

Paraolímpico sonha duelar com Phelps & cia

Recordista mundial, André Brasil vai disputar três provas no Troféu Maria Lenk, no Rio


Agência DAFPara os nadadores brasileiros, o Troféu Maria Lenk, que começa na terça-feira, no Rio de Janeiro, será a última chance de obter índice para as Jogos de Pequim. Mas não para André Brasil, campeão parapan-americano e recordista mundial em três provas paraolímpicas. Ele não tem tamanha pretensão. Sonha "apenas" chegar a uma final A (oito primeiros). Isso, por enquanto. Praticamente classificado em oito provas para as Paraolimpíadas, André acredita ter condições de, um dia, disputar as Olimpíadas, e enfrentar, por exemplo, o americano Michael Phelps, dono de seis ouros em Atenas-2004.

André quer seguir exemplos como o da sul-africana Natalie Du Toit, que teve a perna esquerda amputada após um acidente de moto em 2001, e conseguiu neste a classificação na maratona aquática das Olimpíadas de Pequim. Ou o da corredora americana Marla Runyan, oitava em Sydney-2000 nos 1.500m. Ela, que tem apenas 10% da visão, foi a primeira atleta cega a disputar uma Olimpíada com competidores não deficientes.

Agência DAFO carioca disputará três provas no Maria Lenk: 100m, 200m e 400m livres. E a competição no Rio de Janeiro é mais do que especial para André. Foi há quatro anos que ele viu a possibilidade de disputar competições paraolímpicas; Até então, competia de igual para igual com atletas sem deficiência. Depois de Atenas-2004, passou a competir na categoria S-10, para atletas com menor grau de deficiência. No caso dele, resultado de uma poliomelite na infância.

- Para ser sincero, eu vejo que a natação olímpica tem atletas muito mais completos, mas eu sonho. Minha mãe briga comigo, diz que eu devo me concentrar nas competições paraolímpicas, e não nas olímpicas. Não podem me desmerecer por ser paraolímpico. Vou estar ali brigando contra o relógio. Se eu estiver incomodando, desculpa, mas vou continuar incomodando - diz André, que compete por dois clubes: no Pinheiros (SP), em competições olímpicas, e no IBDD (RJ), em paraolímpicas.



Em Pequim, rumo a sete ouros

André tem recorde mundial paraolímpico em três provas: 50m e 100m livres e 100m borboleta. Para as Paraolimpiadas, obteve índice em mais três: 400m livres, 100m costas e 200m medley. Ele ainda pode competir em dois revezamentos. O nadador, porém, vai abrir mão dos 100m costas. Tentará conquistar "apenas" sete medalhas de ouro.

- No Pan, eu disputei nove provas e vi como é grande o sacrifício. Vou abrir mão de uma delas, os 100m costas - diz.

E por falar em China, André lembra-se de um exemplo que ficou para sempre em sua memória. Certa vez, viu um nadador chinês, que não tinha nenhum dos braços, comer usar apenas os dois pés.

- Ele tinha mais habilidade do que eu. Isso cada vez mais comprova a minha tese. O ser humano não tem limite para nada. Deficientes, todos nós somos. Alguns mais visíveis, como eu. Outros são deficientes de dinheiro, de carisma, de amor,.. - diz André.



Fonte: Globo Esporte

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