Aos 16 anos, a baiana Ana Marcela Cunha provou que é um dos nomes mais badalados da nova geração aquática do país com a classificação às Olimpíadas de Pequim. No Mundial de Sevilha, em maio, a novata obteve a colocação mínima para assegurar a vaga, o 10º lugar entre as mulheres.
"Quando eu saí, não sabia minha colocação, achava que tinha terminado em 12º. Aí comecei a contar as meninas, e quando chegava em 10, contava de novo, porque não acreditei. Até que o pessoal começou a gritar "Décimo, décimo!" e eu mal pude acreditar, foi uma sensação incrível", conta a nadadora, que terá a companhia de outra brasileira, Poliana Okimoto, que ficou em sexto.
"Acho que uma coisa que me ajudou foi meu biótipo. Sou um pouco mais forte que a Poliana, e ela sofreu muito com a temperatura da água. Meu percentual de gordura é mais alto, e isso acabou me favorecendo em Sevilha", avaliou a nadadora.
Na semana seguinte ao Mundial, Ana Marcela disputou a última seletiva olímpica, o Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Logo nos 800 m livre, Ana superou o índice e anotou 8m50s26 (o índice é 8m53s40) para se classificar ao Mundial Júnior, que será disputado em Monterrey, no México. "Vai ser bom, já vou treinando para Pequim", comemorou a atleta.
No Pan do Rio de Janeiro no ano passado, Ana Marcela foi a sétima colocada na prova de 10 km. Mas antes disso, ela já tinha na bagagem o título de campeã brasileira e sul-americana, além do 11º lugar no Mundial de maratona, na Itália. Em 2007, obteve o 26º lugar no Mundial de Melbourne, na Austrália, e foi a sexta colocada na terceira etapa do Circuito Internacional de maratonas, em Portugal.
A nadadora optou por priorizar as águas abertas mesmo depois de conquistar bons resultados nas piscinas, como as vitórias nos 200 m, 400 m e 800 m livre no Multinations 2006, em Atenas. "Sempre gostei de provas longas. Mas é totalmente diferente das provas em piscina. No mar, você tem que observar várias coisas, como as bóias, e tentar se livrar dos choques com os outros atletas", compara.
Foram seus resultados expressivos que levaram a vaiana a mudar de cidade, trocando Salvador por Santos, no litoral paulista. Os pais, para não deixá-la sozinha, fecharam uma loja de produtos para animais e acompanharam a filha na mudança. Ana Marcela sempre pôde contar com o apoio incondicional da família. O pai, o seu Jorge, chegou a assinar um termo de compromisso para que a filha participasse de um torneio, já que só eram aceitos atletas com mais de 12 anos.